segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Nós - Gilberto Valle


Desta feita, no frio intenso da alma
Pedimos calma
Pra que?
Se a vida e o tempo são inclementes
Batalhamos o ser, na busca do ter

Atonicidade que paira sobre nós
Quando sentimos a sensação quase rota...
De nós

Apertados e cegos
Sufocantes e impiedosos
Nós, de todos nós.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Rainha negra - Gilberto Valle


Tantãs e atabaques...soam com a gargalhada do ganzá
Vindos dos navios negreiros
Ecoando com os açoites pardos do feitor
Te saúdo rainha negra

Patuá dos sete poderes
Ogum, Xangô e Iansã
Junto com a idade da sereia
Fazendo baticum com pé no chão

Chuá de cachoeira
A trabalhadora que canta
Com a dança e a ânsia de rememorar

Clarão enganador

Liberdade ainda não chegou.





Homenagem a Moacyr Luz

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Natal - Autor desconhecido

FELIZ NATAL ,um Brasil desconhecido por muitos e amado por poucos.

Alguns estados do nordeste brasilero , tem lindas cidades e até muitas árvores que fazem sombras nas belas ruas.
Mas não é assim seu interior, não há praças, nem árvores e muito menos fontes nos pequenos centros, mas sim muita poeira, galhos secos, animais esqueléticos perambulando pelos caminhos e muitos jegues em uma jornada infinita carregando a água que sobrou em algum buraco da última chuva de muitos meses atrás. E é claro que ao seu lado o sertanejo, o lutador, o guerreiro brasileiro que não desiste nunca, que não desiste da vida, porque ainda não chegou o dia de sua morte, que não desiste da água, pois tem vários filhos para dar de beber. Que mesmo sem cair uma gota de água do céu arrisca sua enxada no solo seco na esperança dos grãos de feijão e milho brotarem se por um acaso da vida cair a tão sonhada chuva.
Sertanejos que sentam-se na porta de sua casa na manhã bem cedo e espera o dia acabar para poder voltar a sua rede e sonhar com dias melhores, apenas “sonhar”.
Pois em sua terra, em seu chão, não nasce nada, não cresce nada, mesmo que ele chore sobre ela.
Mas é claro que nem tudo é tão ruim assim, que nem tudo está perdido, que nem todos desistiram da vida, dos sonhos, de projetar o futuro segundo sua capacidade.
Muitas pessoas que são diferentes, que pensam diferente, que vivem de uma forma diferente, mesmo ultrapassando a barreira da fome, miséria e descaso.Homens com fé em Deus, esperanças na vida e acreditando em dias melhores.
Em um calor de mais de quarenta detalhes da vida do povo nordestino e as grandes dificuldades de se chegar até eles. Dificuldades de se conseguir um meio de transporte rápido, porque com carro não dá para ir, dificuldade de enfrentar o sol causticante, mas a maior delas é a dificuldade de chegar às casas deles e eles não terem um copo de água para oferecer, e muito menos um pedaço de pão.
não é outro país, e a única coisa que mostra o contrário é que falam a nossa língua.
Na sequidão encontra-se esperanças, na morte encontra-se a vida, no fim do túnel encontra-se uma saída. Um povo perdido, perdido em si mesmo, um povo incrédulo, incrédulo por nascimento, sofrido, mas com um coração aberto para o amor.
O natal da comida, o natal de barriga cheia, um natal nunca antes visto por aquelas crianças famintas e desnutridas.
crianças junto a seus pais, crianças que faziam até cinco dias que não comiam e fizemos um jantar para todas elas, crianças que nunca haviam comido frango e carne, e comeram até se encherem, e pais que levaram seus filhos para poder comer também.
Um jovem de mais ou menos dezessete anos me chama na porta, no escuro, e me diz: “Senhor, eu sei que não sou criança, mas eu tenho muita fome, sinto fraqueza nas pernas, quase não consigo caminhar de tão fraco que estou. Por favor, me dê um pratinho de comida mesmo eu não sendo criança”. Quando disse que sim, totalmente emocionado, vi que ele segurava em uma de suas mãos a mão de sua mãe, e a mão de sua mãe segurava as mãos de mais três crianças pequeninas. Como não amar essas pessoas, como ignorar nosso povo, nossa gente, gente como a gente, gente como eu e você.
Essa é a nossa missão: amar, proteger, ouvir, e estender as mãos amigas.


Descobrimos que ainda falta muito para fazer e é exatamente por isso que não podemos desistir nunca, e retroceder jamais. Mas uma coisa é certa: o trabalho está cada dia crescendo mais.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Ensaios Repentinos - Gilberto Valle


Aqui estou eu ouvindo Sweet of Dreams, quarta música do Chinese Democracy, o mais que esperado álbum de inédita do Guns n´Roses. Vejo que a fórmula não mudou muito, tirando alguns elementos de música "industrial" (acho que esse foi a melhor definição daquele barulho insuportável, que reina nas festas Raves). Se bem que ainda acho que o nome "música" utilizado antes deveria ser mudado, porque é tudo menos música. Enfim...Mr. Axl Rose tá aí de novo né...mesmo gordo e "acabado" pelas drogas, ele soube fazer o disco. Tem 4 músicas excelentes, inclusive a que leva o nome do álbum. Algumas baladinhas, pra não perder o costume e mais uma coisa "velha" volta a ativa. O pior não é isso! Certamente, o Chinese Democracy é bem melhor do que muita (mas muita mesmo) coisa dessas bandinhas "bostxinhas" de hoje em dia. Salve os velhacos! Com certeza! E uma nota 7.5 no disco.
Ontem de noite, consegui falar com meu amigo Bruno, que sumiu durante o final de semana. A discussão, via msn, até que fluiu bem. Falamos de alguns casos da vida corriqueira e naquelas pessoas que entram na nossa vida, começam a fazer parte dela e depois somem por conta de qualquer reles motivo. Assim é a vida! Mas não deveria ser, pelo menos eu acho. A gente não devia ligar pra essas coisas, essa é a verdade. Acho, particularmente, que a política entrou até na vida pessoal das pessoas. Eu conheço muita gente, mas detesto muita gente perto. Dá pra entender? Esses lances de popularidade não são muito comigo...confesso. Não gosto de pagar pau pra ninguém, de babar chefe, de bajular por interesse e essas coisas. Eu continuo tentando ser o que sou e vamos seguindo. Como muitos dizem - "tem quem goste".

Ah e odeio ver meus amigos indo de encontro com a cara no muro, mas fazer o que?

PS - achei a capa do disco bem bonita também

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Abstrato - Gilberto Valle


Desde pequeno me encontro com o abstrato
Não gosto das coisas comuns...
De coisas sem sentimentos
Ditongos-hífens-hiatos

De poesia correta, se assim é chamada
De textos com métricas
Palavras um tanto céticas
Daquelas análises sintaticamente aclamadas

Eu gosto é de exprimir
Gosto de ir, mas também de vir
De pintar e desenhar confusões
Sem ter medo, mas quase alucinações

O abstrato é livre pra criar
Voa por voar
Busca aquilo que é,
Do seu jeito





Quadro de Wassily Kandinsky, o mestre do abstrato para mim e uma das minhas fontes de inspiração eterna.

sábado, 18 de outubro de 2008

O "Lindo"enberg - Gilberto Valle

Bem, essa semana desde a segunda-feira presenciamos uma verdadeira novela em todos os horários do Brasil. O sequestro de duas amigas (inicialmente eram 4 jovens), por um demente de 22 anos. O nome desse demente é Lindenberg e diga-se de passagem, o mesmo tinha emprego, recebia um salário e ainda era considerado "calmo" pelos amigos. Só que o calminho invadiu o apartamento da adolescente e fez de reféns 4 jovens, a ex-namorada Eloah, uma outra garota e dois rapazes de 15 anos. Ainda na segunda à tarde, o "Lindo"enberg, libertou os dois "homens" depois de ter dado uma "pisa" de coronha de revólver nos dois. Uma coisa linda, não é? Pra imprensa deve ser, porque todos cobriam o EVENTO, sem o menor respeito pelas ações da polícia (que são péssimas). Virou Copa do Mundo! Todo mundo esperando a hora da libertação (ou seria do Golllllllllllllllll!!!!), se sujeitando a levar tiros de um elemento que brincava com um revólver na janela, atirando não só na imprensa, mas na cara de toda a NAÇÃO! Bem, se passou a terça e a polícia esperando "boa vontade" do rapaz se entregar...Na quarta eu estava tomando uma cerveja no bar e conversando com, uma amiga advogada e ela dizia: "Não Giba, ele vai se entregar, é só faixada..." Quando perguntou minha opinião, apenas disse o que sempre defendi: "É uma vergonha a incompetência da polícia que já devia ter matado o indivíduo, com uma equipe de atiradores de elite, ou invadido o apartamento na marra e matado o elemento." Falo isso, porque ela ainda teimava em dizer que eu "era louco", que isso não resolverá o problema da sociedade. Só que, neste caso como citei acima, o elemento "Lindo"enberg tinha emprego (por mais simples que seja), tinha amigos, família, tinha um salário...Ah, mas que peninha, ele perdeu a namoradinha e tá inconformado né...Então deixa ele lá brincando com um revólver porque tá tristinho. Pelo amor de Deus! Acorda Brasil! Chega de novelas! Já basta Flora matando todo elenco Global meu povo.
Aí, quando menos espero, na sexta-feira, depois de ter esquecido até um pouco esse caso, começa o final da novela...Ele fala com o negociador que vai se entregar depois de 4 dias de novela (A Favorita deve ter sido uma merda essa semana), a "grande" polícia, se posiciona num apartamento ao lado (segundo o chefe de polícia eles estavam nesse apartamento há 3 dias...deviam estar jogando cartas, tomando uma cerveja e acompanhando novelas), e se ouve um primeiro disparo! Paaaah! Eles correm e quando estão atravessando o corredor pra arrombar finalmente um pedaço de madeira (chamado porta), outro disparo! Pah! Eles arrombam a porta e heroicamente colocam uma algema ridícula num elemento, enquanto a ex-namorada tem a cabeça perfurada por uma bala (que atravessou todo cérebro) e a amiguinha, levou um tiro meio que de raspão na boca.
Gostaria de dizer, apenas o seguinte. Esses tiros foram na cara de todo Brasileiro! Esse "Lindo"enberg, rasgou a Constituição Brasileira na nossa cara! Esse elemento tirou a praticamente a vida de uma adolescente por conta de problemas dele. Aí vem...Ah "e os direitos humanos?" Minha gente, direitos-humanos deveriam ser para HUMANOS DIREITOS. Esse elemento não pode ser considerado gente! Esse tipo de pessoa não tem psicologia, psiquiatria, religião ou divindade que dê jeito! Isso tudo é balela da brava! Quando a carga genética vem com defeito, não adianta querer consertar...é fato!
E já que ele rasgou a nossa Constituição, ao menos formulem outra, permitindo a PENA DE MORTE nesse país! Não para qualquer tipo de crimes, ressalto! Mas, para SEQUESTRADORES (profissionais ou baratos), TRAFICANTES (a maior mazela da sociedade), PEDÓFILOS E POLÍTICOS CORRUPTOS (SERIA UM SONHO PRA MIM).
Pois é, a novela terminou meu povo...Eloah, teve a bala alojada no cérebro tem 95% de viver em estado vegetativo pro resto da vida (melhor morrer, na minha opinião), a amiga viverá com um trauma (essa sim tem direito de ter trauma, além do que DEVERIA ter pro resto da vida auxílio PSICOLÓGICO, TOTALMENTE PAGO pelo Governo responsável pela situação) e o nosso herói "Lindo"enberg, continua achando lindo! Vai pra cadeia onde nós, os contribuintes, gastamos R$1400 por mês pra manter cada preso do país, com comidinha, com passeio no sol e etc...
Só me pergunto algumas coisas:

- "Se nossa vítima Eloah, não morrer e ficar em cima de uma cama, quem irá arcar com os custos? Quem irá pagar aparelhagem hospitalar, médicos e enfermeiras acompanhantes e medicamentos?"

- "Será que a amiguinha dela vai ter esse cuidado e auxílio psicológico vital? Será que após tudo isso papai e mamãe vão ter que esperar na fila do SUS, pra conseguir um papinho com um psicólogo?"

- "Será que daqui há 8 anos, o nosso "Lindo"enberg, vai estar solto por bom comportamento na cadeia? Será que vão dar CONDICIONAL pra esse cara?"

Todos nós sabemos das respostas! E a CONSTITUIÇÃO, chamada de A CARTA MAGNA DO PAÍS, continua sendo rasgada e usada como papel higiênico na nossa cara.

Mas, é isso...

Termino por aqui, porque hoje deve sair algo de bombástico na TV. Uma novela nova quem sabe?

Caso não aconteça, vamos todos prestigiar Flora...

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Meu peito dói - Gilberto Valle

Meu peito dói...
Dói de dor de verdade
Que pensamos que sara, ameniza e volta.
Meu peito dói...
Dói de dor de sofrer
Que pensamos que sara, mas volta a ter.
Meu peito dói...
Dói de dor de pureza
Que pensamos que sara, mas não passa
Meu peito dói...
Dói de dor de coração
De saudade, de vontade, de amor

Coisas de dor, que a gente não controla não.

Meu peito dói...
Por amar,sofrer e chorar
Sem nenhuma vaidade...

Meu peito dói...
Porque por mais que se tenha dito, ou desdito
Meu sentimento é bonito, verdadeiro e de paz.