quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Já passou de metamorfose Raulzito - Gilberto Valle


Neste mês de agosto, se completam 20 anos da morte do grande Raul Seixas. A gravadora MZA Music estaria lançando agora no decorrer do mês o DVD - 20 anos sem Raul, em homenagem a este pensante revolucionário que nos deixou tanta saudade. Trinta mil capas do referido trabalho já estavam prontas, mas daí surgiu o comunicado do Ministério da Justiça de que o trabalho, "não era recomendado para menores de 10 anos". E que a EXIGÊNCIA teria que constar na capa do DVD e, ainda mais no MENU do mesmo.
As trinta mil cópias foram pro lixo! Pasmem! Um prejuízo imenso para quem ainda tenta fazer algo de qualidade neste país, ou, como no caso em questão, mostrar talvez a essa juventude algo que preste. A gravadora MZA do produtor Marco Mazzola, afirma que o trabalho chegará as lojas antes do dia 21 deste mês, para não acabar com a homenagem.
A alegação do "grande" Ministério da Justiça, é que no material contém - cenas de consumo de drogas ilícitas (cigarro e álcool)’ e ‘linguagem obscena’. Na parte que Raul explica a composição do Rock das Aranhas. Aquela brincadeira de criança que é datada de 1981 que diz - “Tomada com tomada não dá contato/ não dá curto-circuito”.
Penso que Raulzito estaria rindo de toda esta merda se estivesse vivo. Tarjar de imoral e danoso o que ele escreveu nesta música é uma piada de mal gosto e antiquada para o "Século XXI".

Enquanto isso, em todas as esquinas, rádios, lojas, carrinhos de CDs e shows Brasil afora...

"Vaaaai, dá tapinha na bundinha, vaaaaaai
Que eu sou sua cachorrinha, vaaaaai
Fico muito assanhada
Vamos dá uma lapadinha?
Só se for na rachadinha..."


ou...

Vamos simbora
Prum bar
Beber, cair e levantar

"Grande Ministério da Justiça".

Esse país enlouqueceu, isso é fato.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Às vezes surdez - Gilberto Valle


Na sexta passada, viajando a trabalho para a cidade de Gravatá, presenciei mais um absurdo sonoro brasileiro. Lá venho eu de novo, sentar a pua em cima do que somos forçados a ouvir.
Estava com Thiago, traçando uma maravilha de coxinha de charque com catupiry no Rei da Coxinha, quando num comercial televisivo me aparece um bando de rapazes, dançando para uma multidão e cantando coisas terrivelmente ruins. Mas o povão lá, delirando loucamente. O que mais impressiona nisso tudo, é que no espaço de 6 meses (pasmem!), já é a segunda bandinha nesse estilo "Boys Band" (Só que aqui no Brasil deveria ser chamado de Agro Boys Band), que surge, cantando um monte de merdas, se intitulando "O fenômeno universitário". E todas com o selo da Som Livre. Pelo amor de Deus! É de fazer vergonha a qualquer universidade pé de calçada. Nomes? "Love Boys" e a "Tchê Garotos". Valha-me Deus!
O que mais me deixa impressionado e revoltado, é o modo fácil que essas coisas tem de cair na mídia e sair ínumeras vezes na programação comercial da "Toda Poderosa" Rede Globo de Televisão. É o famoso JABÁ! Só pode!
Tudo isto me deixa muito preocupado com o futuro da música brasileira. Cada vez mais as bandas vão se extiguindo, as mentes pensantes vão cansando e a vontade de vencer com a música vai terminando, de tanto dar murro em ponta de faca. Vivemos no país das merdas sonoras musicais! Tudo que é ruim, torna-se bom! E aquilo que é de qualidade melhor, é esquecido nos cantos. Além dos descuidos na hora de informações televisivas. A "Toda Poderosa" passa dos limites e justamente por isso,eu vou contar outro caso. Estávamos na casa de Fernando, na tradicional quarta do futebol e no intervalo do jogo, me espanto! Começa a tocar Little Joy e a Globo fala abertamente - "Little Joy, curta o nascimento de um fenômeno!" Som Livre! Quando falo em descuidos, é justamente porque a referida banda, é apenas um projeto (o que é bastante diferente de banda), e com data para terminar. Inclusive o mesmo já foi encerrado. E aí Globo? Já soltaram a graninha pro projeto ser mantido, para continuar com músicas em Malhação? Porque penso que é assim que rola!
Noto a perda de amor pelas coisas, a descrença nos sonhos e a falta de identidade dos artistas. Jovens talentosíssimos, tendo que se sujeitar (é essa a expressão), a tocar um monte de merdas (adoradas pela sociedade), para ganhar a vida. Enquanto a grande maioria é suprimida pelo submundo das esquinas, cada vez mais reclusos e escassos. É por estas e por outras que há mais de 10 anos não vemos nada de estrondoso no mundo de música de qualidade brasileira, principalmente em termos de rock n´roll. Los Hermanos parece ter encerrado a safra de grandes bandas brasileiras. Simplesmente NADA de inovador, diferente e estonteante surgiu depois deles. Pensando em termos gerais é pior ainda. Só nascem cantoras como cópias de outras. É um bando de covers de Ana Carolina e Zélia Duncan (uma injustiçada, porque canta e faz músicas de muito melhor nível que a primeira, mas o sucesso está com "aquele grande cantor", Ana Carolina), que não está no gibi. Tudo com aquela voz altamente grave e sem sentimento nenhum. Além da pobreza de letras e versões.
Nesse ponto, posso citar dois exemplos que se distinguem entre os meios. Uma se chama Maria Rita, que é uma excelente intérprete! Basta você ter o discernimento de escutá-la sem comparar com a mãe dela. O trabalho da mesma é de qualidade. Ela canta muito, em comparação a qualquer outra.
E o outro exemplo é Vanessa da Matta, que surgiu devagarinho com sua mistura "romântico-alterna", e tem sido uma excelente fórmula, junto com a voz extremamente doce. É música honesta!
Assistir TV já era um suplício, principalmente se tratando de TV aberta, mas de uns tempos para cá, está se tornando agressão. Logo para mim, que amo a música de qualidade e tenho que aguentar além das novelas, as merdas sonoras jogadas na nossa face, sem dó nem piedade.
Depois disso tudo, o que me restou foi comer a coxinha, a única coisa que se salvou. Tô achando que ser surdo às vezes, não é uma má-idéia.






Dedicado a Fernando Lucchesi e, principalmente a Lester Bangs, o maior crítico de rock n´roll da história.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Tudo Azul - Gilberto Valle


Como é bom você assistir o amor. Nestes meus 30 anos recém-completados, ganhei um presente muito especial do meu amigo Tinoco. Trata-se do DVD - O mistério do Samba. O trabalho é sobre a Velha Guarda da Portela, a pioneira nesse sentido em todas as escolas de samba do Rio de Janeiro.
Voltando para o começo, pode até soar estranho todo este amor pela "águia de Oswaldo Cruz e Madureira", mas eu explico. É de família! Recordo que quando pequeno, gostava de ir dormir na casa do meu saudoso Tio e Padrinho Armando, porque ele deixava eu tomar guaraná a vontade, coisa que em casa não podia. Não estava nem aí para samba nenhum. Só que, durante as noites, eu ficava acordado acompanhando meu tio, na frente da TV, assistindo sem parar o Desfile das Escolas de Samba. Surge daí um amor dos maiores. Armando, dentro de sua seriedade, gostava de papear e mesmo comigo relativamente pequeno, contava das aventuras de quando ele desfilou na Portela, na década de 80 e da tristeza de não poder ter desfilado, todas as vezes que foi ao Rio de Janeiro assistir ao desfile. Tornou-se amor! Aquela tempestade de informações caíam sobre mim e me fascinavam absurdamente. Principalmente a Águia! Aquilo era uma coisa linda, na mente de um menino, que imponência!
O tempo foi passando e cada vez eu ia aprendendo e consquentemente sofrendo com a Portela. É...sofrimento amigos. A última vez que a escola foi campeã, eu tinha 4 anos e não tinha nem idéia do que a mesma representaria hoje para mim. Mas, mesmo assim, ainda é a campeã das campeãs, com 22 títulos.
Hoje, sinto necessidade ir conhecer o Portelão e pelo menos sentir o ambiente de onde saíram e saem todas aquelas maravilhas sonoras. De fato, são maravilhas, porque vem de gente muito humilde e pobre, que lutaram a vida toda (a maioria sem reconhecimento), para mostrar o que eles sabiam, o que eles sentiam.
A Portela fascina, é verdade. Ela é só. Está longe do olhar da mídia que só faz questão de mostrar aquilo que lhe é convicente. Vide o que já foi a Mangueira e o que é hoje a Beija-flor. Escolas que cresceram em fama, assim como Corinthians e Flamengo, por imposição e não por méritos.
A querida có-irmã hoje, sofre com os louros do esquecimento pela mídia, totalmente voltada para a Escola de Nilópolis, por enquanto. E lá do outro lado, a azul e branco de Oswaldo Cruz e Madureira vai se segurando, com simplicidade, do jeito que sempre foi.
O filme é emocionante! E imagine para um portelense convicto como eu, que ainda sonha. As composições, as histórias, o "modo de falar de amor" (frase de Manu), são
espetaculares, tocantes...
Sinto orgulho de ser Portelense, sinto amor pela bandeira do pavilhão, que comanda. Salve à todos aqueles que compõem a Portela. Porque lá, tudo é sempre Azul!

Velha Guarda da Portela e Marisa Monte, interpretando um samba do saudoso Manacéa, intitulado "Volta". Simplesmente genial!

http://www.youtube.com/watch?v=GWBCJOG7kMs

A flor pétrea - Gilberto Valle


A menina das flores espalhadas n´alma...

Transparece pra pele que alva, buscando em riscos e formatos aquilo que realmente a simboliza...

Flor...

Sem espinhos...

Mas se tiver, qual seria o problema, já que todos preferem arrancar a flor em forma de sentimento.

Da flor, se cuida...não se oprime, não se agride, se alimenta

Flor...

Que chora...

Que ri...

Que morde...

Que vive...

Petra, que não tem nada de pedra.



Para Petra.


http://www.youtube.com/watch?v=zoCCssAajyA

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Conversa Franca - Gilberto Valle


Durante esta semana, num papo "internético" com uma amiga minha, surgiu uma pergunta que me pegou de surpresa.

"Giba, você me acha uma pessoa confiável?"

Pelos anos de experiência, de relacionamentos, de rolos, de ficantes e essas coisitas, já sabia que alguém teria machucado essa minha amiga. Há uns 2 anos, ela vem meio que sofrendo por um relacionamento a distância, que já teve algumas idas e vindas. Eu sou um ser digamos que além de ser taxado de sempre "do contra", sou "grosseiro", e deveria usar mais do "eufemismo". Enfim, fodam-se os eufemismos, sou assim e pronto.
Se tenho coisas na cabeça, eu não me omito de opinar, como a grande maioria das pessoas hoje em dia fazem. Preferem um mundo de conveniências, de hipocrisias, de uma "santidade" pessoal (estão longe disso), um mundo de falsos.
Escutando a menina querida, ela me conta que um amigo do ex-namorado dela, disse que estava escrito na testa da mesma - "eu não sou confiável". Me pergunto:

- Como as pessoas acham que tem algum direito de se meter na vida dos outros, se ao menos não conhecem a pessoa?

- Como dizer que uma pessoa não é confiável, se ela não tem tatuado na testa?

- Como este mundo pode ser tão vil e cruel, a ponto de se falar de uma pessoa que mora noutro estado e que você nunca viu?

Acho, que a cada dia que se passa, o mundo se torna pior! Aí tem gente com discursinho otimista e hipócrita. Não tolero isso. Não suporto esse tipo de coisa. Mas refletindo e conversando com ela dei a minha opinião:

"Isso é fruto do feminismo exacerbado que toma conta do mundo atual. Hoje em dia, se pensarmos direito, o homem que virou um artigo de luxo. E isso é culpa unicamente deste feminismo em excesso. Penso que a mulher no seu processo natural e merecido (pra não dizer necessário) de crescimento também absorveu todas as coisas ruins que os homens faziam."

Isso não combina com estas criaturas meus jovens! Só que ainda fui mais a frente. Discordo desses falsos pudores, até porque ninguém pode estar dentro de ninguém para sentir coisas como desejo, atração, paixão, vontade, tesão...
Macho nenhum, pode julgar uma mulher de "não-confiável" porque ele soube por bocas alheias que a menina transou com um cara na primeira noite. E daí porra? Desde que haja uma transmissão química rolando, um processo de junção e desejo rolando não vejo nada demais.
E onde chega este mundo de mentira? Chega e fica naquelas "menininhas" que andavam escondidas, passaram suas infâncias estudando em colégios high-society, e frequentando as boates, os barzinhos, as festinhas dos poneis da cidade. Mas, nessas mesmas festinhas, iam pras escadarias dos prédios ter suas bucetinhas destroçadas, ou então dar uma chupadinha na pica do ficante (mas tem que engolir pra não manchar meu vestido e "mommy" não desconfiar), mas isso tem que ser em sigilo, porque fui educada em altos padrões, não fico com ninguém se não me atrair financeiramente e que não esteja no meu patamar. E domingo, vou a missa, colocar na boca a óstia sagrada ao invés do falo alheio.
Aí, essas dondocas vem frequentar os lugares alternativos da cidade, claro! Carne nova no pedaço, aí a macharada enlouquece. Só que esquecem, que elas estão ali, mas a kilometragem já está rodada demais, pela "ponalhada" das boates. Existem mulheres devassas em todos os lugares, mas o homem é um ser tão idiota, que prefere aquelas que eles não tenham visto ficar com algum carinha na noite (mesmo que seja uma puta de classe maior), a ficar com uma que ele viu e não se dispôs a conhecer.

O conselho final foi: "Tu é linda, inteligente, preparada e tá mais do que na hora de mandar esse filho de uma puta pra merda!"

Comigo é assim. Até porque a conversa fiada, não cola...

E eu faço questão de ficar longe desse mundo hipócrita e seboso!

terça-feira, 30 de junho de 2009

Finding Neverland - Gilberto Valle

Uma mistura de insanidade e coração...
Um garoto, que aflora para a vida
No corpo de um homem
Na mente de um menino

Décadas se passaram
O tempo urge para todos
Ou quase...

Há aqueles que vivem para si
Que não se incomodam com o que vem
E com o que vai vir.

O menino sonha...

Com uma vida sem ódio
Com o dia que felicidade se transmitiria igual gripe
Onde a paixão sentiríamos ao respirar
E, consequentemente, o acordar sorrindo.

O menino segue...

Sem saber que o tempo passa
Assim que ele é...
Assim que ele quer...
Achar a sua Neverland.



Para Décio.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Ensaios Repentinos - Gilberto Valle


Me questiono...
Isto não é para qualquer pessoa.
Pessoas...
Essas nos fazem perder esperanças, amizades, tempo...
Hoje eu entendo e vou formando,
Opinião...sobre vida...sobre gente.

Continuo...
Por que? A vida é tão cruel com aqueles que se martirizam...
Tristeza é uma coisa normal...diria Vandré:

"Tua tristeza não é de amar
Vem que a beleza pode acabar
E é só no amor que o amor vai chegar
Quem não tem um bem
Não tem onde ir
E a vida vai e vêm sem sair
De uma dor sem fim de não ter alguém
Por quem partir, sofrer e sorrir"

Superação, quase não existe.
Odeio vítimas...mas, o que é ser uma vítima?
Até isso se popularizou, a eterna mania do banalizar.
Banalizar o que é bonito...e exaltar o que é feio, pobre...

Sim...tristeza é uma coisa bela, quando você aprende com ela.

É o que falta...

Carência...é o que reina.

E desamor e interesses, é o que impera!




PS - para um amigo, "que tem um coração tão bom que enjôa."